Contratos garantem o fornecimento de energia mesmo em crise hídrica, afirma diretor da Abinee

Responsável pela área de GTD, Marcelo Machado participou de entrevista coletiva da diretoria da entidade. Confira os destaques

Contratos garantem o fornecimento de energia mesmo em crise hídrica, afirma diretor da Abinee
Crédito da imagem: Pixabay

Caso a crise no setor de energia elétrica ocorra em 2022, assim como ocorreu em 2021, o fornecimento está garantido pelos contratos.  

“O mercado hoje tem segurança importante principalmente aos compromissos e estamos vivenciando uma crise cuja gestão é bem efetiva”, disse Marcelo Machado, diretor de GTD da Associação Brasileira da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), ao responder a pergunta do Energia Que Fala Com Você durante coletiva da diretoria da entidade na quinta-feira, dia 09 de dezembro.  

Segundo Machado, a crise hídrica foi amenizada com o início do período úmido em outubro.  

“E apesar de todas as dificuldades, os contratos serão honrados na questão do mercado cativo, seja na questão do cumprimento de contrato e na garantia física”, atestou. “Não deve haver problemas.” 

As avaliações do diretor de GTD da entidade devem tranquilizar os clientes industriais, elétricos e eletrônicos, geralmente grandes consumidores de energia elétrica e que, segundo a Abinee, se preparam para crescer em faturamento pelo menos 2% reais em 2022.  

A previsão de alta no faturamento foi apresentada pela Abinee durante a coletiva online. Confira: 

Para 2022, os empresários do setor elétrico e eletrônico pretendem ampliar os investimentos para dar conta do projetado aumento de vendas e de encomendas:  

Bom monitoramento 

Em linha com o diretor de GTD, o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, avalia que, no caso da crise hídrica, houve bom monitoramento pelo comitê coordenado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).  

“E é claro que o custo da energia sobe, em função do despacho das térmicas”, disse. Em sua opinião, esse despacho continuará em 2022, mas o custo deve cair devido à eficiência das termelétricas.  

Prorrogação do PADIS 

Em sua participação na coletiva, Barbato destacou a aprovação na noite da quarta-feira (08), pela Câmara Federal, da prorrogação do prazo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS).  

Para vigorar, a prorrogação depende do aval do Senado e dá novo fôlego à indústria de semicondutores, matéria-prima usada na produção de chips e que é motivo de escassez para fabricantes de veículos a computadores.  

O PADIS reúne incentivos fiscais federais no PIS, Cofins e IPI. O programa teria validade até 22/01/22 e, com a prorrogação, valerá por mais cinco anos, até janeiro de 2027.  

Clique aqui para assistir ao vídeo no qual o presidente executivo da Abinee comenta sobre a prorrogação do PADIS.  

Barbato também destacou, sobre semicondutores, que em tratativas com integrantes do Ministério da Economia e com o ministro Paulo Guedes “ele deixou muito claro que não quer perder a indústria privada de semicondutores.” 

Já no caso do Ceitec, empresa pública de semicondutores em fase de liquidação, “ele entende que deve ter novo arranjo para ser competitivo.” 

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Placas fotovoltaicas 

O presidente executivo da Abinee também comentou sobre a questão da tributação sobre placas fotovoltaicas em pergunta feita por jornalista.  

Existe carência desse material, produzido em sua maioria pela China, cujo consumo já em alta deverá crescer seja para usinas geradoras centralizadas ou pela mini e microgeração.  

“O Brasil representou 19% desse mercado e hoje participa com 2% da oferta de placas”, disse. 

“A indústria não reclama da abertura, mas é que nenhum dos insumos para produzir os módulos tiveram redução de custos para importação”, emendou. “Acontece que indústria é tributada e a importação não, e perdemos espaço importante.”  

Balanço de 2021 

Durante a coletiva, a Abinee apresentou balanço do desempenho da indústria eletroeletrônica em 2021.  

O faturamento, por exemplo, foi de R$ 214,2 bilhões, com crescimento real (descontada a inflação do setor) de 7% na comparação com 2020.  

O resultado também é 6% maior do que o obtido em 2019.  

“Apesar das dificuldades remanescentes da pandemia e das instabilidades do cenário econômico, conseguimos voltar aos níveis de 2019, com crescimento no faturamento e na produção do setor”, afirma, em nota, Barbato.  

Entre os principais problemas enfrentados pela indústria eletroeletrônica em 2021 estão as dificuldades na aquisição de matérias-primas e componentes, principalmente semicondutores; os gargalos logísticos, com o aumento expressivo dos preços dos fretes e a alta do dólar.  

Outro destaque foi o aumento de 8% no nível de emprego do setor, que passou de 247 mil em dezembro de 2020 para 266 mil pessoas no final deste ano, o que corresponde à geração de 19 mil vagas nas associadas da Abinee.  

“Nos últimos dois anos foram gerados 32 mil empregos, o que demonstra a recuperação do setor, que vem aumentando consecutivamente suas vagas de emprego em todos os meses do ano”, observou Barbato.  

Confira imagens do balanço do setor: