Conheça iniciativas colocadas em prática para combater a escassez de semicondutores
Crédito da imagem: Akitada/Pixabay

Você já deve estar cansado de ouvir falar sobre os impactos negativos da escassez de semicondutores.  

E, como bem sabe, a indústria de produtos eletrônicos e as montadoras de veículos são os principais penalizados.  

O resultado também é de conhecimento geral: faltam produtos e, quando eles são fabricados, os preços sobem pelas paredes neste 2021 ainda pandêmico.  

Em resumo, vale lembrar que a origem de toda essa escassez vem da Ásia.  

Melhor dizendo: China, Taiwan e Coreia.  

Os dois últimos produzem 70% de toda a oferta mundial de memórias, relata à Agência Brasil o economista Renan Pieri, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), da Fundação Getulio Vargas (FGV).  

Não é novidade para ninguém que durante o pico da pandemia os produtores asiáticos interromperam a produção de memórias e wafer [disco de silício], vitais para fazer os semicondutores.  

Quando veio a retomada econômica mundial, ela foi mais rápida que as fábricas dessas manufaturas que são essenciais, por exemplo, como componentes para circuitos elétricos de veículos.  

Este roteiro negativo, como já descrito, está na ordem do dia do noticiário.  

O que virá daqui para frente?  

Tem previsão pessimista.  

No caso da produção de veículos, a escassez de semicondutores deve seguir no próximo ano.  

“2022 continuará sendo de grandes desafios na entrega de semicondutores ao setor automotivo”, afirmou em entrevista coletiva Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) (leia mais aqui). 

Assim como o problema deve persistir, os produtos ficarão mais caros.  

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi), Rogério Nunes, revela que a redução da oferta de celulares pode chegar a 10%, “principalmente em função do desabastecimento porque a demanda continua relativamente alta”. 

E não há saídas? 

Sim, elas existem. Uma – talvez a principal – é deixar de depender dos fornecedores asiáticos.  

O economista da FGV lembra que outros países, como os Estados Unidos, lançam incentivos para atrair manufatura de semicondutores. E o mesmo, emenda, ocorre na Europa.  

Em que pesem as iniciativas, já se sabe de antemão que a produção não será feita de uma hora para outra. Ou seja, o caminho tortuoso deverá mesmo persistir em 2022.  

Ademais, assim que o fornecimento for retomado as empresas consumidoras de semicondutores precisam fazer sua lição de casa.  

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Como assim?  

A estratégia de estoques das empresas precisa mudar, aponta pesquisa realizada pela Accenture. Outro resultado do estudo destaca a necessidade de se alterar, também, os critérios na definição de quem, de onde e quando comprar.  

“Não se pode mais dar importância apenas ao custo. É preciso ficar atento ao ambiente social onde o insumo é produzido”, disse ao Valor Flávia Couto, diretora de operações da Accenture.  

Sim, os novos desafios na cadeia de fornecedores exigem investimentos em tecnologia e pessoas. Além disso, outro pilar tão importante é o uso dos dados.  

Ou seja: a obtenção de dados amplos e de alta qualidade deve entrar no radar de prioridades também das empresas consumidoras de semicondutores.  

Com tais ações, mais a não dependência de fornecedores asiáticos, pode até ser que a crise dos semicondutores termine bem antes do esperado.