Drones prometem mais eficiência e menos despesas nos tratos de canaviais

Aeronaves não tripuladas integram as estratégias do setor sucroenergético para conter custos agrícolas

Drones mais robustos começam a entrar em cena para reforçar a gestão de tratos de canaviais. No fim de fevereiro, a SkyDrones, de Porto Alegre (RS), recebeu o Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave) para a versão com capacidade de 30 litros de seu drone de pulverização Pelicano.  

Em termos comparativos, quando for comercializado ele irá operar com 20 litros acima do modelo convencional.  

Por sua vez, a Autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é pré-requisito para a empresa comercializar no País o drone de mais de 25 quilos de peso máximo de decolagem (PMD).  

“A SkyDrones é a primeira fabricante nacional a receber o Cave”, afirma o diretor-executivo Ulf Bogdawa. Antes, a certificação foi concedida a drone de empresa chinesa.  

Na prática, a Autorização permite que a fabricante realize voos de demonstração e de aperfeiçoamento de projeto do Pelicano de 30 litros.  

O exemplo da empresa não é único.  

A sucroenergética São Martinho implantou, no terceiro trimestre de 2021, o primeiro drone do País totalmente conectado à tecnologia 5G. 

As novidades reforçam o avanço da tecnologia de aeronaves não tripuladas também nos canaviais que segundo a Conab, do governo, estão espalhados por 8,3 milhões de hectares do País.  

Combate a plantas daninhas 

Aliás, há vários anos os drones são empregados nos tratos de canaviais.  

A Raízen, joint-venture da Shell e da Cosan, utiliza aeronaves não tripuladas na pulverização de herbicidas capazes de combater plantas daninhas em canaviais.  

No caso, a operação é de forma localizada e feita pela Raízen pela startup Arpac, especializada em serviços agrícolas, com quem a companhia tem parceria por intermédio de seu hub de inovação, o Pulse.  

O resultado é positivo, relata a empresa. Após testes de validação da tecnologia o saldo foi economia operacional de 47% e de insumo de 82%.  

Obter economia na pulverização é vital para o setor sucroenergético.  

Isso porque os custos agrícolas subiram 40% no ciclo produtivo (safra) 2021/2022, que oficialmente termina em março, ante a temporada anterior. 

A informação integra levantamento da consultoria Pecege, de Piracicaba (SP), realizado com quase 50 empresas responsáveis por 40% da cana processada no país (leia mais aqui).  

Em tempo: o drone é um complemento como pulverizador, porque o avião é a opção mais econômica.  

Basta ver que enquanto a aeronave não tripulada carrega 10 litros em uma velocidade de até 40 km/h, um avião Ipanema transporta 800 litros e vai a 200 km/h (saiba mais aqui).  

Atuação em várias frentes 

Por sua vez, são várias as operações agrícolas de tecnologias embarcadas em veículos aéreos não tripulados (VANTs), como também são chamados os drones.  

Tome o exemplo do drone com conexão 5G usado nos canaviais da São Martinho.  

Desenvolvido em uma iniciativa da companhia com a Ericsson, em parceria com a Vivo Empresas, o equipamento realiza mapeamento de alta precisão com transmissão em vídeo e com controle em tempo real de todo o processo de captura de imagens (mais a respeito aqui).  

Outro exemplo vem da Raízen. Em seu relatório anual, a sucroenergética destaca que por ano os equipamentos sobrevoam 500 mil hectares de cana para constatar falhas no plantio, quantidade de plantas invasoras e mapear os tratos culturais.