Cooperativas de fornecedores de cana ampliam os investimentos

Entre os aportes estão a automatização de processos industriais e parceria com grupo suíço para venda de créditos de carbono

As cooperativas de fornecedores de cana-de-açúcar são estratégicas para o setor sucroenergético. 

Tome o exemplo das 31 associações de produtores ligadas à Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana)

Elas reúnem 11 mil fornecedores espalhados por cinco estados da região Centro-Sul e que, juntos, têm capacidade de ofertar 60 milhões de toneladas da matéria-prima do etanol por safra. 

Para se ter ideia do peso dessa capacidade, ela representa 11% das 523,11 milhões de toneladas processadas na safra 2021/22 encerrada em março no Centro-Sul, relata a UNICA, entidade do setor. 

Em outro comparativo, as 60 milhões de toneladas dos fornecedores da Orplana equivalem a 57% das 107 milhões de toneladas de capacidade da maior companhia do setor, a Raízen. 

No geral, o universo de fornecedores no Centro-Sul responde por pelo menos 20% da cana processada pelas usinas da região, cuja capacidade é de 660 milhões de toneladas. 

Faturamento 50% maior

Fora o peso-pesado das cooperativas em termos de oferta, elas também ostentam robustos resultados financeiros. 

É o caso, por exemplo, da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), pioneira do segmento no estado, fundada em 1948. 

Com matriz em Piracicaba (SP) e 29 filiais nos estados de São paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, ela hoje é referência no agro: além de cana, possui fábrica de rações, unidade de grãos e, entre outras, confinamento de gado. 

Um saldo desse universo da Coplacana é o seu faturamento que, em 2021, alcançou R$ 3 bilhões, 50% superior ao do exercício anterior, relata o jornal Valor. 

Coaf processa 6% mais cana

Já na região Nordeste do País, também apresentam resultados vigorosos a Cooperativa dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf)

Gestora da usina Cruangi, no município de Timbaúba (PE), a cooperativa estimava encerrar a moagem de cana da safra com cerca de 800 mil toneladas processadas. O montante é 6% acima da moagem do ciclo anterior, divulga a Udop, entidade do setor. 

Fora a receita financeira maior, a diretoria da Coaf promete distribuir entre os 450 fornecedores de cana o valor integral dos Créditos de Descarbonização (CBios) referentes ao etanol produzido da cana entregue por eles. 

Não é só. A Coaf anunciou investimento próprio da ordem de R$ 11,5 milhões na modernização do parque industrial da usina. 

“A nossa produção de etanol passará a ser toda automatizada”, afirma, em nota, Alexandre Andrade Lima, presidente da cooperativa. 

Parceria com grupo suíço 

O vigor das cooperativas também é atestado pela Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba (Socicana), com sede em Guariba, no interior paulista.

Com pouco mais de 1,2 mil fornecedores, ela entrou em 2022 anunciando acordo com o grupo suíço Barry Callebaut, líder mundial na fabricação de chocolates de alta qualidade.

Com essa parceria, os associados da Socicana receberão, da corporação Barry Callebaut, o suporte para a geração de créditos de carbono em suas operações no campo. E, dessa forma, ao final do projeto, terão a possibilidade de vender esses créditos ao grupo suíço.

Com o acordo, o objetivo da Barry Callebaut é promover a redução das emissões de gases do efeito estufa na produção de matérias-primas. 

Ao mesmo tempo, a Socicana soma importantes iniciativas nessa área, como a validação das certificações internacionais Bonsucro e RSB (Roundtable on Sustainable Biomaterials).