70 países já usam etanol na gasolina e este número subirá mais

Ganhos ambientais e econômicos favorecem a adoção do biocombustível

O etanol avança mundialmente como aditivo à gasolina. 

Atualmente, mais de 70 países já possuem mandatos que estabelecem algum nível de mistura do biocombustível ao derivado de petróleo, relata a UNICA, entidade representativa do setor sucroenergético.

Esse avanço do etanol é destacado pela Biofuels Digest, mídia dos EUA especializada em biocombustíveis, que divulgou o mais recente levantamento dos países com mandatos em biocombustíveis (clique aqui para acessar o original  em pdf). 

Antes de mais nada, vale mencionar que mandato de biocombustível significa um período no qual o país seguirá com a adição de etanol adicionado à gasolina. 

E há casos em que esse mandato é suspenso. Isso ocorre principalmente em países que precisam importar etanol para fazer a mistura. Daí se o preço sobe muito, ou o produto fica escasso, o governo reduz o percentual ou até suspende a mistura. 

A questão financeira, aliás, é um dos motivos da adição de etanol à gasolina. 

Veja o caso dos Estados Unidos. 

Diante a guerra na Ucrânia, que tem aumentado os preços da gasolina, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), autorizou oficialmente as vendas de gasolina com mistura de 15% de etanol (E15) durante os meses de verão no país, ou seja, entre junho e agosto. 

A permissão da EPA tem caráter emergencial (leia aqui a respeito no original em inglês), mas reduzirá – e bem – as necessidades de gasolina para atender ao mercado interno. 

Em 2021, por exemplo, o país consumiu 10,04 milhões de barris por dia em julho, relata a Agência Udop. 

Traduzindo em litros, são 38,1 milhões ao dia. Com 15% de etanol neles, os EUA economizarão 11,4 milhões de litros de gasolina por dia. 

Em tempo: normalmente, estados americanos adicionam 10% de etanol ao combustível fóssil. 

Benefício ambiental 

Além do ganho financeiro diante o cenário conturbado de alta no petróleo, o etanol promove ganhos ambientais em um ambiente de transição energética no qual é preciso reduzir as emissões de gases de efeito estufa, os GEEs, causadores do aquecimento global. 

Em um comparativo, ante a gasolina o combustível renovável emite até 90% menos dióxido de carbono (CO2), formador dos GEEs.  

E, como destaca a UNICA, o uso de etanol por quase 50% dos carros do Ciclo Otto (veículos leves) no Brasil evitou a emissão de 600 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera ao longo de 2021. 

Mais países com etanol

Os benefícios ambientais e financeiros ajudam a expandir o etanol mundo afora. 

A Índia ilustra muito bem essa expansão. O gigante asiático com 1,4 bilhão de habitantes já emprega 10% de etanol à gasolina. 

Por conta da parceria entre os governos e setores privados do Brasil e do país asiático, os indianos decidiram aprovar a mistura de 20% de biocombustível ao derivado fóssil até 2025. Além disso, adotaram também os veículos flex, que, assim como no Brasil, podem rodar com gasolina ou etanol. 

Com as medidas, além de melhorar a qualidade do ar, a Índia deverá, também, diminuir a importação de petróleo, que atualmente chega a 80% da sua demanda doméstica. 

No caso, o combustível fóssil será trocado por biocombustível a ser processado em território indiano, uma vez que o país é um dos grandes produtores mundiais de cana-de-açúcar, matéria prima relevante para a produção de etanol. 

10% na Guatemala

E, há também países em fase de tratativas para implementar a adição do biocombustível à gasolina. 

É o caso da Guatemala, país da América Central que avalia a implementação de uma mistura de 10% de etanol. 

No começo de maio, na Cidade de Guatemala, especialistas, autoridades e pesquisadores do Brasil e do país se reuniram na primeira edição do Sustainable Mobility: Ethanol Talks Guatemala, no qual discutiram os benefícios e os desafios relacionados à implementação da mistura.

“Produzimos etanol, mas não o utilizamos. Deveríamos tirar mais proveito dos benefícios dele e acredito que o futuro na Guatemala será muito mais verde num curto espaço de tempo”, disse, no evento, o ministro de Minas e Energia do país, Alberto Pimentel, conforme relato da UNICA.  

Por sua vez, a embaixadora do Brasil na Guatemala, Vera Cíntia Álvarez, disse que o país está pronto para aderir a um programa de etanol e se juntar a mais de 60 países no mundo que já utilizam o biocombustível em sua matriz de transportes. “Criaremos, assim, um mercado mundial para o etanol e transformaremos o biocombustível em commodity com valor global”, destacou.

Quem promove o etanol 

Por fim, vale lembrar que um dos fomentadores da expansão mundial do etanol é o Arranjo Produtivo Local do Álcool (APLA)

Em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o APLA desenvolve o projeto “Brazil Sugarcane Bioenergy Solution”, que promove os produtos e serviços brasileiros do setor sucroenergético no mercado internacional e estende seu apoio à internacionalização das empresas brasileiras e a atração de investimentos para o país (leia aqui mais a respeito).  

Confira países que integram a lista de 60 nações que já usam etanol adicionado à gasolina: