Falta de padrão nas tomadas dos carregadores desafia os veículos eletrificados

Problema afeta crescente frota brasileira de modelos de diferentes marcas

Delcy Mac Cruz

O avanço da frota de veículos eletrificados segue em ritmo acelerado no Brasil. No primeiro trimestre, as vendas cresceram 115% ante igual período de 2021, chegando a 9.844 unidades, contra 4.582 do primeiro trimestre do ano passado.

Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que, em nota, destaca que “os elétricos e híbridos seguem tendência inversa à do mercado total de vendas domésticas de automóveis e comerciais leves, que caiu 25% na comparação entre os primeiros trimestres de 2022 e 2021.”

Conforme a entidade, entre janeiro de 2012, quando esses veículos chegaram ao mercado, e março último, a frota total de eletrificados leves no Brasil chega a 86.986.

“Mantendo-se a tendência atual, a frota eletrificada pode chegar a 100 mil veículos já no fim deste primeiro semestre”, prevê.

Mas ao lado dos bons números e de estimativas pra lá de otimistas, os eletrificados têm desafios e um deles é a infraestrutura de carregamento de baterias.

Adalberto Maluf, presidente da ABVE, disse ao Valor Econômico que o número de pontos de recarga espalhados pelo País está hoje em 1,5 mil.

Pode parecer suficiente, mas é pouco para o avanço em ritmo acelerado da frota de eletrificados.

Entretanto, a falta de estações de recarga não é – por ora – um problema, porque as garagens das residências podem realizar este procedimento.

Grupo de trabalho entra em cena

Porém, existe uma questão preocupante: falta padronização para as tomadas dos carregadores.

Diante disso, nem todas marcas de modelos eletrificados podem utilizar a estrutura de pontos disponibilizada pelo território nacional.

A despadronização, no entanto, pode estar com os dias contados.

Em entrevistas, Maluf, da ABVE, confirma que foi solicitado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) uma alternativa única de conectores.

Isso para que seja viável que as estações de recarga suportem a maior quantidade de veículos possíveis no território nacional.

Para tanto, o executivo afirma que foi criado um grupo de trabalho para padronizar as tomadas dos carregadores.

Agora é aguardar por um rápido processo de soluções a ser apresentado pelo grupo.

Marcas investem em pontos de recarga

Enquanto isso, avança, também, a rede de pontos de recarga a partir dos fabricantes.

A Volvo está nessa lista. Investe em corredores de recargas em diversas rodovias e na primeira fase envolve rotas que ligam São Paulo a Minas Gerais, Rio e, também, ao interior e litoral paulistas.

Os trechos dessa fase inicial, orçada em R$ 10 milhões, somam 3.250 quilômetros.

Já o Grupo Volkswagen, em parceria com a EDP, deu a largada para implantar rede de 2.500 quilômetros que cobrirá o Estado de São Paulo, parte de Minas Gerais e de Brasília.