Custo menor e descarbonização turbinam contratações de energia no mercado livre

Modelo respondeu por 64% da eletricidade transacionada no País em março, sendo mais da metade de fontes limpas

Delcy Mac Cruz

Os contratos de venda de energia no mercado livre seguem em alta. E este crescimento tende a avançar quando se trata de fontes limpas.

No caso, o aumento de contratos no mercado livre chegou a março com 10 mil consumidores em 91.180 megawatts-médios (MWmed) contratados, ou 64% de toda a energia transacionada no país no mês, relata a Abraceel, entidade representativa das comercializadoras.

Para efeitos de comparação, a entidade destaca que em março de 2021 o número de consumidores com contratos no mercado livre era de 8.579 em 88.754 MWmed contratados, ou 65% de toda a energia vendida naquele mês no Brasil.

Já no caso do crescimento na procura de fontes limpas, a Abraceel relata que em março de 2021 essas representavam 42% da geração vendida no mercado livre. Já em março deste ano, essa participação saltou para 64%.

Confira o desempenho

do Mercado Livre, segundo a Abraceel:

Em março de 2022:

E em março de 2021:

Redução de custo e ganho ambiental

Mas qual o motivo do avanço dos contratos do mercado livre, também chamado Ambiente de Contratação Livre (ACL), no qual o consumidor escolhe livremente seus fornecedores de energia?

O primeiro – e grande motivo – é a redução de preços da energia adquirida, que fica em média em 20%.

Mas essa diminuição pode chegar a 30%, segundo a entidade das comercializadoras, quando esse mercado estiver disponível para todos consumidores – hoje, apenas os grandes demandantes de energia podem estar nele.

A abertura geral, no entanto, pode ser oficializada neste semestre e, assim, conforme a Abraceel, entrará em prática no máximo em quatro anos (leia mais aqui).

Mas fora o ganho financeiro, o mercado livre também avança, como mencionado, na aquisição de eletricidade gerada por fontes limpas: eólica (vento), fotovoltaica (solar), biomassa (resíduos de cana etc) e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

A busca por essas fontes atrai principalmente consumidores com políticas de descarbonização, ou redução de emissões de gases geradores de efeito estufa, os GEEs, que causam o aquecimento global.

Vale lembrar que as fontes limpas também geram GEEs porque é preciso avaliar todo o seu ciclo de vida.

Veja o caso da energia solar: ela é exemplo de descarbonização, porém suas placas de geração geralmente são importadas da China e, lá, são produzidas a partir de energia cuja fonte é o poluente carvão.

Voltemos aos ganhos de se adquirir energia de fonte limpa no mercado livre.

Neste ambiente, é possível firmar contrato no qual o abastecimento é 100% de fontes limpas garantido por selos como o I-REC (International Renewable Certificates, na sigla em inglês), que possibilita o rastreamento de atributos ambientais de energia.

É certo que por ora o mercado livre seja restrito a grandes consumidores, bem como selos como o I-REC.

Mas com a esperada abertura do ambiente para todos os consumidores, também é certo que a maioria vai preferir comprar eletricidade de fonte limpa.

Somadas, essas fontes representam menos de 20% dos gases de efeito estufa injetados na atmosfera, contra, segundo a Cetesb, 60% dos GEEs emitidos por fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural), também empregados para produzir eletricidade.